"Como é vão sentar-se e escrever se você não se levantou para viver!
(Henry D. Thoreau)"


sexta-feira, 22 de maio de 2015

Para que somar, se a gente pode dividir?

Em alguns momentos da vida, temos que tomar decisões e assumir responsabilidades! Às vezes temos que ser duros com a gente e, mais difícil ainda, com outras pessoas. Em alguns momentos somos obrigados a agir de forma enérgica e impor autoridade. Ser sério, às vezes, é necessário.
Isso não implica, no entanto, que devamos ser pessoas tristes!
Adotamos a cada novo dia uma postura. Levantamos do conforto de nossas camas a fim de alcançar sonhos, batalhamos dia e noite a fim proporcionar a nós e a quem amamos uma vida melhor. Estudamos, trabalhamos, pagamos nossos (pesados) impostos sem muitas vezes questionar se tudo isso faz realmente sentido... Sacrificamo-nos demais!
Não, eu não quero dizer que a solução seja se tornar Hippie e sair pelo mundo ofertando sua possível arte, embora admire por demais quem sonhou e - diferentemente da maioria - teve a coragem de concretizar essa vontade. 
Acredito, no entanto, que muitas das vezes, talvez devido à intensidade da vida urbana ou talvez à falta sensibilidade, corremos demais e deixamos para trás aquilo que tanto buscamos. 
Qual de nós nunca olhou uma foto antiga e pensou: "eu era feliz e não sabia"?
A vida passa e a cada dia parece passar mais rápido. Há sempre aquela (falsa?) sensação de que o amanhã será melhor! Há meio que implícito a promessa de que vale a pena correr atrás. Quem acredita realmente sempre alcança? Só se é feliz alcançando o primeiro lugar do Podium?
Quanto vale a nossa felicidade? Qual a renda mensal devemos ter para, enfim, sermos felizes?...
Eu não sei quanto a vocês, mas em minha memória os maiores momentos de alegria que carrego são extremamente simples. 
"Não se precisa de muito para ser feliz"!. Discordo. Não se precisa de muita grana para ser feliz. Acredito que para ser feliz precisamos sim de muita coisa! Caráter, amizades sólidas, uma família (a defina como lhe convir), princípios, moral, ética, respeito, educação, liberdade etc.
O problema que infelizmente exergo na sociedade atual é que tendo dinheiro, automática e magicamente todas essas infinitas coisas surgem do nada! Consequentemente a luta por "vencer na vida", "ser alguém" se torna uma corrida maluca! Ninguém sabe o ponto de partida e tampouco onde desejamos chegar... É como uma versão "moderna" da teoria da geração espontânea. Isso realmente faz sentido?
Qual seu ídolo? Quem lhe inspira? Que valores e princípios ele possui a ponto de ser seu referencial? 
Ao deitar a cabeça ao travesseiro, o que pensa? Hoje fui uma pessoa individual e coletivamente melhor, contribuí ao mundo de alguma forma, se eu não existisse, que falta faria, ou então em quanto ganhou, deixou de ganhar ou perdeu?
Não se trata de uma teoria idiota contra o capitalismo ou qualquer outra forma de sistema econômico, trata-se de algo mais profundo, individual. Onde queremos chegar? Estamos indo na direção certa? Meus sacrifícios são válidos? E seu eu chegar onde desejo e me ver infeliz? Haverá um retorno? 
Hoje sabemos o preço de tudo, mas sabemos reconhecer o valor das coisas. Uma viagem a Dubai não sai por menos de 10 mil reais, mas quanto vale aquele almoço em família? Um Camaro custa 200 mil, mas quanto vale aquela conversa, sentados à calçada, com os amigos de infância? Muitos sabem exatamente o preço do dízimo, mas quanto vale a benção dos pais?
Alguém disse que seria fácil? É, sem dúvida, conflituoso. Espero que um dia possamos, quando partimos, podermos olhar para trás e termos orgulho do caminho que trilhamos. Nunca é tarde para recomeçar!
Como diria Vinícius de Moraes, "para que somar se a gente pode dividir?"

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Pra não dizer que não falei sobre a amizade...




















Dentre todas as coisas que considero importantes nessa nossa caminhada, sem dúvida, a amizade é uma das mais imprescindíveis.


Agradeço a Deus por conhecer muita gente, ter vários colegas e partilhar um network razoavelmente significativo. Agradeço, entretanto, muito mais por ter sido abençoado com a dádiva de ter amigos.
E diferentemente do que um dia pensei, tenho muitos amigos. Com o tempo aprendi que as situações difíceis pelas quais passei nunca afastaram meus amigos, apenas os selecionaram.

Aprendi também que cada pessoa é especial e única, consequentemente possui características intrínsecas. Saber compreender e aceitar a particularidade do outro é essencial na construção de um relacionamento salutar, verdadeiro e duradouro.

Há aqueles que constantemente estão fisicamente presentes, amigos que fazemos questão de estar ao nosso lado sempre que possível; outros, todavia, vez ou outra, simplesmente somem - às vezes por semanas, meses ou anos - , mas quando acontece o reencontro parece que nunca se distanciaram. Talvez porque mesmo que tenham seguido destinos diferentes, nunca se esqueceram das suas origens e de que um dia caminharam lado a lado; há amigos de infância, aqueles que invocam nossos nomes no diminutivo, mas que foram essenciais ao nosso crescimento; há, outrossim, amigos virtuais, pessoas que às vezes sequer conhecemos pessoalmente, apesar disso, em algum momento se fizeram presentes em nossas ocasiões mais solitárias.
Há também os ex-amigos, aqueles que nos ensinaram - amiúde de forma dolorosa - o que não deve ser feito. Não poderia me esquecer daqueles que já partiram e deixaram, além da aflição e saudade, a reflexão sobre a finitude.

Meus amigos possuem os mais diversos gêneros, cada um tem sua característica marcante. Uns gostam de falar, outros preferem ouvir; há os que sempre recorro quando me sinto necessitado, bem como aqueles que tenho prazer em poder ajudar. Alguns tem metade da minha idade e outros mais que o dobro. Todos possuem qualidades e valores que me proporcionam admiração e orgulho. Não obstante, tem sim seus defeitos e imperfeições.?

Talvez a amizade se manifeste a partir do momento em que ambos saibam reconhecer suas virtudes e falhas e, acima de tudo, respeitá-las.
A vocês, meus amigos, minha gratidão pelo companheirismo e lealdade, da mesma maneira desejo toda felicidade do mundo a vocês, pois são merecedores!


Texto escrito em março de 2015. Publicado no Jornal Imprensa do Cerrado, edição número 74.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Algumas coisas devem apenas ser sentidas, jamais entendidas.




















Sempre fui fascinado por mágica. Ainda criança, ficava encantado ao ver números que não poderiam ser explicados à luz da razão. Truques com cartas eram meus preferidos. Gostava tanto que certa vez, por volta dos meus 14 anos, resolvi aprender mais sobre ilusionismo. Matriculei-me em um curso online, o qual a cada dia liberava uma nova aula. Durante um ano aprendi a maioria dos fundamentos do universo que um dia tanto me encantou. Pratiquei bastante, ganhei experiência e “popularidade” entre meus colegas, mas perdi uma das coisas mais importantes da vida: o encanto.

Deixe-me explicar melhor. Antes de conhecer os truques e segredos que me encantavam, havia uma grande admiração pelo mágico. Ficava horas, às vezes dias, tentando entender como aquilo era possível. Sempre tive apreço por aquilo que me faz pensar.  Ver a “mágica” acontecer diante dos meus olhos me causava um estado de quase êxtase. Apesar de gostar da encenação, nunca tive admiração por nenhum ilusionista, o que me deslumbrava mesmo era o número em si. Ao descobrir, no entanto, como tudo era feito, tive – acredite – uma das maiores decepções da minha vida. Tudo não passa de truques baratos que consistem basicamente em distrair o público. Mãos ágeis facilitam o processo.

Todos inefáveis sentimentos que diversas vezes foram em mim despertados transformaram-se em desilusão. Perguntava a mim mesmo “é só isso?! Não pode ser”... Houve sem dúvida uma grande quebra de expectativa. Claro que eu sabia que “mágica” não existe fisicamente, tinha consciência de que tudo não passava de ilusão. Não imaginava, entretanto, que coisas tão simplórias eram a fonte do meu encantamento.

Cresci. Mais de dez anos se passaram. Sempre acreditei que tudo na vida tem dois lados, mas somente hoje pude ter capacidade de entender o lado bom desse desapontamento. A vida me ensinou que nem sempre devo tentar entender tudo. Algumas coisas devem ser apenas sentidas, jamais compreendidas. Isso não quer dizer que devemos fechar os olhos à razão. Trata-se apenas de saber viver cada momento, aproveitar cada etapa do presente.
Desde muito cedo sempre tive o hábito de querer ter tudo sob controle, sou uma pessoa extremamente curiosa, questionadora e que ama desafios. Essas características me fazem tomar decisões que trazem, quase sempre, bons resultados. O preço a se pagar, todavia, às vezes é alto demais. Algumas vezes, confesso, sinto que me esforço sobremaneira para conseguir algo que, em última análise, nunca quis verdadeiramente. O que me atrai não é o troféu, mas sim a busca pelo primeiro lugar. Olhar para trás e dizer “eu venci” é bom, mas olhar para frente e ter um objetivo que quase todos julgam impossível é uma sensação mágica!

Apesar de ter descoberto alguns truques de ilusionismo, ainda hoje a Mágica vive em mim. O encanto é o que me faz seguir em frente. A vontade de descobrir e entender como tudo funciona me trazem força quando penso não mais ser possível seguir em frente.  Em meu estado de encantamento, desprezo quaisquer preceitos de racionalidade.

Surge, então, meu carma. Muitas vezes para conseguir o objetivo tão almejado, tenho de ser calculista, racional e frio. Planejar cada passo, ter sempre um plano B, estar pronto a ser camaleônico. Roubo meu próprio jogo, infrinjo minhas próprias regras.  Ganho e ao mesmo tempo perco de mim mesmo. Ao mesmo tempo sou o mágico e o espectador.

Questiono-me: vale a pena? Não, não vale. Tenho aprendido, de uma maneira dura confesso, que algumas coisas devem ser apenas sentidas, jamais entendidas. E mais, alguns troféus são mais belos em minha mente, não na minha estante. Não que o objeto, coisa ou pessoa que se deseja seja menos que imagino, mas jamais serão como em meus pensamentos.

Por isso, resolvi mudar. Não quero estragar nossa história. Não depende de nós. Certas coisas contrariam as mais profundas vontades e os mais sinceros sentimentos que se possa ter. Não, não é desistir. É tentar resistir ao tempo. É fazer com que o espetáculo dure o máximo de tempo possível. Embora talvez seja ilusão, um bom mágico jamais revela seus segredos.

Quem sabe ainda temos algumas cartas na manga...


Escrito por Fernando Arataque Filho. Goiânia, 12 de janeiro de 2015.





sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Soneto a uma libriana





















Que sentimento é esse? Por que amar-te tanto?

Diz-me, ó amada, o tens que me encanta?

Não usas véu, mas és santa. Do meu eu és governanta

Não fui santo, dize-me quanto custa a indulgência do meu pranto?



Em meus sonhos és minha, quimera terna traz-me felicidade

Melancólica se faz a realidade. Vives em meu coração

Sempre quiseste bem. Se algum mal lhe fiz, peço perdão

Nunca foi a intenção. Sabes que tens meu amor e amizade



Sei que a mim falta paciência, acredito que ainda há de ser

Geramos boas sementes e juntos as plantamos

Se a vida é justa, bons frutos iremos colher



A mim só resta resignação. Jamais deixar de acreditar

Porque tu és tudo que desejo nessa vida

Deixe estar. Mas eu sei: tem que morrer para germinar




 Escrito por Fernando Arataque Filho, entre a primeira e segunda semana de dezembro de 2014.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Soneto de mim mesmo e dos amores que (tive)













Em meu peito, carrego comigo lembrança
Dos tempos áureos da vida humana
Película de quando ainda era criança
Cenas que misturam fases gregas e romanas

No palco da vida fui moleque, palhaço e aspirante a poeta
Meu enredo criei e dirigi, ao meu modo encenei
Houve monólogo, comédia, tragédia... cada ato ainda me afeta
Sorri, chorei. Cai, mas nunca desisti. Vivi tudo que amei

Personagens maravilhosas tive a sorte de conhecer
Doaram-me mais que companhia e talento
Entregaram-me a melhor parte de mim. Difícil é esquecer

Agora sem plateia sinto nostálgica mansidão
Quando comecei a escrever eu já sabia
O fim de quem ama é sempre a solidão


Fernando Arataque Filho
Escrito em 08/12/2014






terça-feira, 18 de novembro de 2014

Faz tanto tempo, mas parece que foi ontem.

















Seus olhos negros traziam luz; sua fé, esperança. Mentiria se dissesse que não sinto saudade. Saudade daquilo que nunca aconteceu. Por muito tempo pensei ser errado, mas ela – naturalmente – ensinou-me que não existe certo ou errado. Há o conveniente e o inconveniente. E quantos momentos inconvenientemente convenientes compartilhamos...


Arriscaria dizer que foram os melhores momentos que tive a sorte de viver. Horas se passavam como segundos! Eu levava alguns chocolates, ela os comia, mas era eu quem sentia a vida mais doce. Falávamos sobre o céu e as estrelas. Comentávamos sobre literatura e MPB. Às vezes discutíamos sobre política e religião. Futebol não, afinal torcemos pelo mesmo time.

Tudo começou como uma simples brincadeira, palavras afáveis foram sementes de um sentimento estranha e assustadoramente forte. Um afeto que nasceu calma e silenciosamente. Assim como a chuva rega uma semente, sua presença embebia meu pobre árido coração. Assim como o sol traz calma após uma tempestade, seus abraços me traziam paz. Uma paz nunca antes sentida. Uma conexão que impressiona por sua força e ternura.

Uma relação em que as palavras e o contato se fazem desnecessários. Quando duas almas se conhecem de outros tempos, todas as convenções perdem sentido. Basta um olhar, um pensamento para o coração bater, bater mais forte.

De todos os bens que ela trouxe, o que mais se destaca foi o dom de voltar a acreditar na humanidade. Enxerguei nela a pureza e bondade que acreditei por muito tempo não mais existir. Sim, ainda há seres humanos. Pessoas de bom coração. Anjos que Deus coloca na terra em forma humana. Eu tive a sorte de encontrar um.

Um anjo sem asas, de olhos negros, cabelos longos e sorriso extremamente encantador. Mãos macias, apesar das constantes lutas. Olhos que choram, mas nunca perdem a esperança e sempre enxergam um amanhã melhor. Suas negativas são adoravelmente positivas. Seu sim é tácito. O que escancarado se passa por subentendido.


A protagonista de uma história de dois personagens. Uma história que sabemos como começou, mas torço para que não tenha um final feliz. Se eu puder continuar a escrevê-la, não haverá final. A felicidade está em cada entrelinha. Que os pontos finais terminem períodos de inquietação; que a única coisa que nos separem sejam as vírgulas durante vocativos afetuosos. Que exclamações exprimam apenas vultosa alegria. E que nossas orações a dois sejam reticentes...

(1.11)

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Linchar Zúñiga e estuprar sua filha pequena não trará Neymar de volta a essa Copa.

Pensei muito e relutei bastante para não escrever acerca do episódio da fratura do Neymar da Silva Santos Júnior durante entrada do jogador colombiano Zúñiga, ocorrida no último dia 04 durante disputa por uma vaga nas semi-finais da Copa do Mundo 2014 - a "Copa das Copas"!
Gostaria, primeiramente, deixar claro que acredito no esporte como fator fundamental na formação de valores sociais, morais e éticos. Bem como no seu papel no desenvolvimento da sociabilização dos desportistas e, sem dúvida, nos benefícios psicológicos e físicos dos seus praticantes e apoiadores.
Em segundo lugar, quereria manifestar minha torcida na recuperação do cidadão Neymar Júnior, o qual, segundo Galvão Bueno, "joga muito esse menino Neymar"!

O que me motivou a escrever essa breve e simplória reflexão foi a reação de grande parte da população brasileira após a confirmação da fratura e consequente afastamento do jogador da Copa. De início (e bem de início mesmo: em menos de três minutos foram mais de 550 mil mensagens só no twitter) houve comoção e mensagens de apoio. Até aí, tudo bem. Aliás, atitude positiva. Logo em seguida - o que me deixou triste e envergonhado - foi o fato de vários e vários brasileiros terem sido tomados por um ódio mortal contra o jogador Zúñiga e seus familiares, chegando ao ponto de alguns internautas ameaçarem sua filha, de apenas dois anos, de estupro e morte. "que tal estoramos (sic) a coluna da sua filha?" e "Menina vai ser estuprada", por exemplo. Palavras racistas também enfeitarem esse triste episódio.
Linchar Zúñiga e estuprar sua filha pequena não trará Neymar de volta a essa Copa.
Alguns podem argumentar que são só ameaças, que isso nunca se concretizará. Prefiro não arriscar, em julho de 1994, o zagueiro Andrés Escobar foi morto ao retornar a seu país após a Colômbia ser desclassificada da Copa do Mundo. Ele foi responsabilizado pela saída da equipe ainda na primeira fase por ter feito um gol contra em jogo com os Estados Unidos, donos da casa. Morto. Por causa de um gol contra.

Acima descrevi os fatos. Qualquer cidadão que tenha uma TV, acesso a internet e interesse no assunto já sabe disso. Nenhuma novidade. O que me fez refletir foi o motivo de tudo isso, por quê?
Após ler alguns artigos, pesquisar e olhar o mundo à minha volta constatei, mais uma vez, algo triste, lamentavelmente negativo:
Infelizmente, vivemos hoje em uma sociedade praticamente vazia de valores éticos e morais, de conceitos e de tradições. Sendo assim, o grande ídolo, não é mais um escritor, professor, cientista, etc.; mas sim, um jogador de futebol, um vencedor do Big Brother, uma modelo de passarela.
Sinceramente, nada contra a pessoa Neymar Silva Santos Júnior. Pelo contrário, admiro sua trajetória e sua luta. Se está onde está, fez por merecer. Tenho, todavia, certa resistência em aceitar o status de figura/símbolo/mito Neymar como ídolo. No futebol, sem dúvida, é uma pessoa de destaque. Mas nosso Brasil, país continental, rico por natureza, onde há tanta diversidade se resume a futebol? É sério isso? Seria mesmo o futebol o verdadeiro grande propulsor do patriotismo, com aceitável funcionamento apenas a cada quatro anos?

Não é que eu não goste de futebol, mas já gostei mais. Quando criança, já pensei em ser jogador profissional. Cresci, estudei e adquiri conhecimento suficiente para ter senso crítico. Hoje olho e consigo entender essa carência que sofremos. Precisamos de ídolos, pessoas que nos inspiram, isso é humano. O problema surge quando nosso conhecimento é limitado e qualquer um que a mídia exalte serve como "tapa buraco". Falta-nos educação.
Um belo exemplo do que quero dizer foi uma competição promovida pela rede de TV aberta SBT: "O maior brasileiro de TODOS os tempos". A votação foi aberta ao público brasileiro!

Listarei alguns dos nomes da lista:
72º Michel Teló e 89º Tom Jobim. Não conheço nada sobre Michel Teló, exceto uma única música que não é sequer de sua autoria com o refrão: "Nossa!/ Nossa! Assim você me mata!/Ai se eu te pego". Vamos falar um pouco de Tom Jobim? Não, não precisa! O nome Tom Jobim já fala por si próprio. O cara em toda sua vida, como músico e compositor, nos deu dezenas de verdadeiras obras primas. Ao lado de Vinícius de Moraes (que aliás, não entrou para lista!) cantou a música brasileira mais executada no mundo: "Garota de Ipanema", cujos versos "Moça do corpo dourado/Do sol de Ipanema/O seu balançado é mais que um poema/É a coisa mais linda que eu já vi passar" contrastam bem com a do 72º MAIOR brasileiro de TODOS os tempos.

50º Rogério Ceni e 66º Carlos Chagas. Sou são-paulino, admiro o trabalho do goleiro, mas me desculpe, não é possível que os brasileiros elegeram um goleiro como o 50º maior brasileiro de TODOS e Carlos Chagas como 66º! O trabalho de Carlos Chagas e sua vida dedicada à pesquisa salvou e salva milhões de seres humanos! Não precisa comentar, né?

De Brinde, mais alguns dos maiores brasileiros, segundo os brasileiros:
83º JOELMA (canta horrores!)
81ª DATENA ("Põe na Tela!")
75ª CLAUDIA LEITE (Também conhecida, agora, como Galinha Pintadinha)
54º RR SOARES (É RR e não R$!)
49º GUGU LIBERATO (Meu pintinho amarelinho!)
44º TIRIRICA (Pior que tá não fica!)
42º LUAN SANTANA (Quem é Luan Santana?)
40º XUXA (Xuxa, é sério?)
39º RODRIGO FARO ( Ahhhh, meu Deus!!!)
21º EIKE BATISTA (Alguns investidores o amam!)
20º adivinhem quem é! Claro, NEYMAR!!!

Deixo claro, nada contra nenhum dos nomes acima. No entanto, entendo que alguém para ser lembrado como MAIOR brasileiro ou como ídolo deve deixar algum legado para a humanidade. O caminho que trilha deve conter sementes que servirão de fonte de inspiração e prosperarão em bons frutos à humanidade.

Ética, moral, bons costumes, intelecto, cultura, generosidade, amor ao próximo parecem ser valores que estão em segundo planos em nossa atual sociedade. Valoriza-se demasiadamente coisas efêmeras, produtos e bens de consumo vendidos pela mídia. Quando não alcançamos esses bens (poucas vezes alcançáveis) surge a dor, o sentimento de impotência e a revolta.
Creio que tenhamos que abandonar nossa ignorância e caminhar sentindo ao verdadeiro conhecimento. E esse caminho só é possível por meio da educação, com ou sem Neymar, com ou sem o Hexa!

Fernando Arataque Filho.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

FAZER O BEM SEM OLHAR A QUEM.

Frase simples. Não há hipérbatos, metáfora ou ironia. Expressão fácil e sem enfeites, porém extremamente poderosa. Tal qual como deveria ser nossa vida: simples e cheia de energia - alegre!

Com o tempo, aprendi que atraímos o que emitimos. Embora aos olhos e ouvidos menos sensíveis não passe de clichê, aos mais atentos e experientes é um dos pilares da vida.
Lembro-me de quando tinha uns quatro anos de idade, sentado à frente de meu pai, durante a primeira refeição do dia, ele pegou um pão e o dividiu em duas partes desiguais. Colocou-as em minhas mãos e pediu que eu desse uma delas a meu irmão mais novo. Talvez por fome, fiquei com o maior pedaço e cedi o menor ao meu irmão. Fui repreendido. Em seguida, instruído naquele momento para me colocar no lugar de meu irmão e responder qual dos dois pedaços eu gostaria de ganhar. Cedi o pedaço maior e fiquei com o menor. Aprendi naquele dia o significado de empatia. Os anos se passaram, cresci (não muito, é verdade!) e nunca me esqueci dessa história. Certa vez, refletindo acerca desse episódio cheguei a conclusão de que meu pai fora errado. Não ao me repassar sábio ensinamento, mas ao dividir o pão. Constatei que ele poderia tê-lo dividido em duas metades, partes iguais, mas não o fez.
Vivi mais alguns anos, não ganhei nem mais um centímetro, mas o tempo trouxe experiência. Hoje compreendo a magnitude e extensão daquele dia. Metaforicamente, meu pai representou a vida e nem sempre ela é justa. Não importa o que te dão. Tem validade o que você doa. Cada um deve dar o melhor de si.
Hoje entendo aquele dia e compreendo as fases pelas quais tive passar até adquirir tal modo de pensar. Não importa o que dizem, a forma como julgam ou como pensam. O que vale é o que o está em nosso interior. A essência nunca muda.
Por isso, hoje levo a vida do modo mais simples e sincero possível. Apesar dos dessabores, acredito nas pessoas. Em qualquer relação interpessoal, seja romântica, fraternal ou amistosa, dou-me por completo. Procuro sempre fazer o melhor que posso, demonstrar meus sentimentos, ser justo e companheiro. Mesmo que eu não ganhe nada em troca, mesmo que me falte reconhecimento ou gratidão. Não mais me acompanha aquela dúvida lacerante de que as coisas poderiam ter sido diferentes se eu tivesse feito algo diferente, me esforçado um pouquinho mais. Faço minha parte, o que meus braços não podem abraçar, minhas mãos tentam ser amigas, sem jamais apontar o dedo. Isso dá uma paz que não tem tamanho!
Mesmo que vida seja injusta, seja justo. Não faça com os outros aquilo que não gostaria que fizessem com você!


 Escrito às 08h do dia 22 de abril de 2014.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Olho por Olho

Na sexta-feira passada, 31, um fato que ocorreu na zona sul carioca ganhou repercussão nas redes sociais.
Vamos aos fatos. Um adolescente negro foi espancado, amarrado pelo pescoço com um cadeado de bicicleta e deixado lá, nu.

O comentário da jornalista do SBT Rachel Sheherazade e seus ecos foram o que me motivaram a escrever sobre o assunto.  Em seu comentário, a jornalista inicia suas palavras de forma preconceituosa e irônica: “O marginalzinho  amarrado ao poste era tão inocente...” e finaliza lançando uma campanha: “faça um favor ao Brasil, adote um bandido!”, ridicularizando os defensores dos direitos humanos.
Os comentários que acompanhei via internet, em vários sítios, eram diversos. No entanto, assustou-me a grande parcela que apoiava a ação dos “justiceiros” e aplaudia o comentário descabido e infeliz da apresentadora.
Primeiramente, quero deixar bem claro que sou a favor da legítima defesa ao cidadão, bem como a liberação ao porte de arma aos civis. Isso pode soar estranho aos mais desinformados. Mas explico melhor: a defesa é um direito inato ao cidadão, garantida constitucionalmente; quanto ao uso de armas de fogo para tal defesa de direito, depois escrevo melhor sobre o assunto, mas já adiantando a conclusão a respeito, o desarmamento civil não diminuiu índices de criminalidade em NENHUM país do mundo.
Não, eu não sonho com uma sociedade na qual todos portem uma arma e na menor das intrigas resolva o problema com dois disparos.  Quero uma sociedade que tenha Estado (justo e igualitário) e povo (não plateia).

Voltando ao caso do menor negro. Se ele roubou ou teve a tentativa de furto frustrada, estava errado? Claro, óbvio, sem sombra de dúvidas! Isso dá o direito de um grupo de jovens de classe média, autointitulados de “justiceiros da moto” pegaram o adolescente negro, o espancarem e o amarrem nu em via pública? É mais que notório que NÃO!
Ah, mas o cara estava errado, infringindo a lei, é um preto vagabundo, favelado - diriam os desmiolados com cultura e senso crítico formados a partir de novelas e realitys shows.
A questão é complexa, delicada e requer uma análise profunda dos fatos, ações e consequências.
Não vou buscar o histórico de vida desse adolescente preto (preto é cor, negro é eufemismo para preconceito encubado!). Não vou dizer que são altas as chances de ele não ter tido acesso a estudo público de qualidade, que o Estado se omitiu quando ele, talvez, tenha sofrido violência policial ou que, quem sabe, ele pode ter se sentido um sub-humano quando um dia tentou seguir o caminho reto e foi ridicularizado e humilhado por ser negro e estar vendendo queijinho ou óculos falsos nas praias e calçadas de Copacabana, depois de gastar 4h do dia só para sair e voltar para “casa” no eficiente transporte público brasileiro. Esse mesmo preto que talvez não tenha pais. Pode ter perdido o pai que, ao voltar pedalando para casa, foi atropelado por um filho de um (ex?) bilionário e quem sabe sua mãe morreu de dengue na fila do SUS.  Talvez ele tenha se cansado de assistir aos familiares perderem suas vidas em desmoronamentos, à espera da chegada do Programa Minha Casa Minha vida (irônico, não?!). Ou quem sabe os avós desse preto desgraçado, marginalzinho – como diria Rachel Sheherazade - , tenham saído do agreste sertanejo nordestino cansado da ausência do Estado, da fome, da sede. E quem sabe, por um milagre de Deus, esse pobre preto possa um dia ter tido um momento de reflexão ao ler que o Governo Brasileiro investiu, em Cuba, mais de 2 BILHÕES com o Programa mais Médicos e na construção do Porto de Mariel. Quem sabe esse preto tenha entendido que Cuba, país socialista, é um bom lugar, porque o Governo está “investindo” lá, e não aqui, nosso dinheiro. Quem sabe ele tenha pretendido não roubar, mas como dizem os socialistas: dividir riquezas.
Não, eu não tenho a intenção de sensibilizar ninguém. O que quero é que o cidadão pense, analise e reflita antes de comentar: “bandido bom é bandido morto”, “menos um”, “vai roubar no inferno”,  “senta no colo do capeta”...  Repito, ele estava errado ao cometer uma infração? Sim! Mas isso não dá o direito de ninguém, além do poder judiciário, julgá-lo. Isso não dá o direito de três ou quatro pessoas que tiverem, talvez, uma infância confortável, regada a todinho e que elaboram o conceito de justiça por meio de horas e horas assistindo Liga da Justiça e Capitão América a captura-lo, espanca-lo e amarra-lo nu na rua. Isso é volta à barbárie. Isso é inaceitável.
Quanto ao comentário infeliz e néscio da apresentadora do SBT, constitui, em minha opinião, um desfavor à sociedade. Estudo e instrução ela tem, claro. Se quisesse, poderia levar o assunto a uma análise mais profunda e procurar soluções e alternativas aos problemas ao invés de parabenizar os criminosos que fizeram “justiça” com as próprias mãos. Sim, criminosos, infringiram o artigo 129 do Código Penal Brasileiro.
Vai uma reflexão aos que apoiam a iniciativa dos “justiceiros”. Eles viram uma infração sendo cometida, certo? Em suas mentes, julgaram aquilo errado e instantaneamente resolveram agir, certo? Subiram em suas motos e deram uma “lição” naquele preto infeliz.  Já pensaram se essa onda se propaga?
Eu fico extremante chateado quando alguém não apto/licenciado estaciona em vaga destinada a deficiente físico. O que eu devo fazer? Descer do carro, esmurrar a cara do cidadão, quebrar suas pernas, deixa-lo paraplégico  e ensinar, desse modo, que não se deve estacionar em vaga para deficiente?
Ou quando vejo alguém bebendo e dirigindo, devo atropelá-lo, descer do carro, pegar uma garrafa de vodca, batê-la inúmeras vezes em sua cabeça e dizer que não se pode beber e dirigir?
Entende que o problema é grave? Ao se aceitar e apoiar esse tipo de conduta, abre-se espaço para condutas diversas e divergentes. Isso porque a justiça com as próprias mãos parte de um julgamento particular, íntimo e sem base legal. E, obviamente, cada cidadão tem um julgamento diferente.
Gostaria de ver “justiceiros” cerceando a casa de políticos corruptos, amarrando, espancando líderes de desviam dinheiro da merenda escolar, do SUS, da Segurança Pública...
Bater em preto  pobre que rouba bicicleta é fácil, né? Combater quem rouba a Nação há milhares de anos, ah... deixa pra lá. Rouba mas faz. Logo tem Copa, vamos nos divertir!!! Opa, tem novela nova começando e o BBB tá esquentando...

domingo, 29 de setembro de 2013

Programa Mais Médicos: Fatos e Números que o Governo não divulga




Lançado oficialmente em julho deste ano, pelo Governo Federal, o Programa Mais Médicos tem causado diversas discussões acerca da saúde pública no Brasil. Gostaria de esclarecer alguns pontos e expressar minha opinião sobre o assunto.

É importante, primeiramente, relembrar o contexto no qual nossa Excelentíssima Presidente, Dilma Russeff, anunciou informalmente a importação de médicos. Foi na terceira semana no mês junho, logo após o período de grandes manifestações populares, que levaram milhões de brasileiros, insatisfeitos, às ruas. Naquele momento, segundo pesquisa CNI-IBOPE, a reprovação do Governo de Dilma, em relação à saúde, era de 77%.

Tão importante como relembrar o contexto, é fundamental esclarecer como normalmente funciona (ou funcionava) a importação de um médico que, eventualmente, se dispuser a exercer a profissão no Brasil. Há uma prova, o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas médicos – REVALIDA –, elaborada e aplicada pelo Ministério da Educação (MEC), na qual todos os médicos formados no exterior devem se submeter. Essa prova tem o objetivo de verificar a qualidade do ensino fornecida ao médico estrangeiro e certificar suas habilidades como profissional da saúde. Em 2011, 677 médicos se submeteram ao REVALIDA e apenas 65 foram aprovados; em 2012 foram feitas 884 inscrições e apenas 77 obtiveram resultados positivos (índice de aprovação inferior a 9%). Ou seja, a cada 100 médicos formados no exterior, que desejam trabalhar no Brasil, 91 deles não tem formação acadêmica adequada, segundo o MEC.

A justificativa do Governo em importar médicos é a falta médicos no Brasil. Isso não é verdade. Atualmente, nosso País tem em média dois médicos para cada grupo de mil habitantes, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM). A média recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de um médico para cada mil habitantes.  

Mesmo com tantos médicos, por que a saúde pública brasileira é tão ineficiente? Seria culpa exclusivamente dos médicos? Seriam os médicos desumanos, egoístas e mercenários? Importando milhares de médicos, sem certificar sua qualificação, resolveria os problemas da saúde no Brasil?

A saúde pública é frágil, ineficiente e vergonhosa. Há, de fato, concentração de médicos em determinadas regiões como sul e sudeste, enquanto nas demais há, sim, déficit desses profissionais. No entanto, a solução não é importar médicos e os alocarem nesses confins. Isso é, como diz o ditado, tapar o sol com a peneira. Um Governo sério, compromissado com a saúde e vida de sua população, deveria, no mínimo, ter o bom senso de combater as causas dos problemas e não utilizar medidas paliativas e eleitoreiras. Não há médicos em certas regiões porque não há infraestrutura, condições dignas de trabalho, segurança, plano de carreira e direitos trabalhistas (13º salário, férias, FGTS, aposentadoria). Assim como “uma andorinha só não faz verão”, um médico sozinho não faz saúde. É necessária uma equipe multidisciplinar composta por odontólogos, enfermeiros, fonoaudiólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, agentes de saúde, médicos etc. Bem como materiais e estrutura física para que esses profissionais possam exercer suas profissões em plenitude.

Obviamente, resolver o problema da saúde no Brasil não é fácil. Surgido há 25 anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) é um dos mais admirados e premiados no mundo, acredite! De fato, em teoria, o SUS é um ótimo sistema. Na prática, poupo minhas palavras e deixo o julgamento a critério de quem um dia ficou doente precisou utilizar tais serviços públicos.

Por que, entretanto, há essa distância monstruosa entre a teoria a prática? A resposta é simples: ineficiência governamental. Possuímos um Governo hipócrita e corrupto que, em suas falas, por exemplo, justifica a importação de médicos dizendo que não há pediatras para cuidar das crianças. É verdade, faltam pediatras, bem como faltam vagas de especialização na área (na Universidade Federal de Goiás, por exemplo, são abertas apenas 7 vagas por ano). Todavia, esse mesmo Governo, segundo o IBGE, anuncia que em 2027 nosso país terá mais pessoas acima de 60 anos que jovens de até 15 anos, ou seja, a população está envelhecendo. No entanto, o Governo não se prepara e procura formar mais Geriatras (médicos especialistas em cuidar de idosos). Percebe-se que o Governo não está interessado em de fato sanar os problemas, mas sim usar medidas paliativas e ineficientes – com o intuito enganar a população, sobretudo àqueles mais humildes, e garantir votos para próxima eleição.
Segundo dados da OMS, a cada um real investido em saneamento básico, economiza-se quatro reais em gastos com saúde. Hoje, 45% das cidades brasileiras não tem sequer tratamento de esgoto. Não seria novidade se eu dissesse que milhares de brasileiros aguardam em média seis meses, na fila do SUS, por um exame de tomografia computadorizada. Se importarmos a quantidade de médicos proposta, devemos sextuplicar toda aparelhagem pública da rede de diagnósticos para manter a mesma ineficiência de hoje!

Até o momento o Governo Federal investiu na saúde apenas 26,2% do total disponível para a compra de equipamentos e realização de obras, segundo a Organização Contas Abertas. O percentual equivale a R$ 2,6 bilhões, que inclui o valor de R$ 1,9 bilhão pago em restos a pagar, ou seja, compromissos de anos anteriores, mas só pagos no atual exercício. Até o momento apenas 39 médicos (6% do total de 633 médicos “importados”) tiveram seus registros liberados e estão aptos a trabalhar legalmente no Brasil. Com esses números fica mais do que claro que o Governo não está preocupado com a saúde do povo. A intenção velada do Governo é simplesmente ludibriar a população, edificar e santificar a imagem da Presidente Dilma Rusself (candidata à reeleição) e do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha (candidato do PT ao Governo de São Paulo).  Pesquisa do IBOPE, divulgada em setembro, mostra que, infelizmente, essa manobra ardilosa tem surtido efeito. Em junho (antes das Manifestações) 71% dos entrevistados aprovavam o Governo Dilma, em julho (pós-manifestações) esse número despencou para 45%. Em Setembro (após o lançamento do Programa Mais Médicos) o percentual subiu novamente para 54 pontos.  Outros dados interessantes: em julho, 49,7% dos entrevistados se diziam a favor da importação de médicos, em setembro nada menos que 70,38% dos participantes se dizem a favor do programa Mais Médicos, segundo pesquisa CNT/MDA . Como esse número aumentou tanto em tão pouco tempo? Obviamente esse fato não se deve aos 39 novos médicos estrangeiros. Isso é um exemplo claro de manipulação de massas, por meio de propagandas governamentais – propagandas essas que somam em média R$ 1,78 bilhões ao ano (média 23% maior quando se comparada ao Governo Lula).

Portanto, o que quero expressar – e para tal lanço mão de todos esses números oficiais como fundamentação da argumentação - é que o Governo Federal está mais uma vez enganando a população, gastando dinheiro público desnecessariamente  e não está fazendo nada para melhorar a questão da saúde pública brasileira. Gostaria de deixar claro que não sou contra a vinda de médicos estrangeiros, desde que todos se submetam ao REVALIDA e comprovem sua capacidade profissional.  Sou, sim, absolutamente contra um Governo que tenta manipular a população, eximir-se de sua responsabilidade social (muito bem clara na Constituição Federal , artigo 196: “A saúde é direito de todos e dever do Estado”) e ainda tentar denegrir toda a classe médica, vendendo a imagem de que esses profissionais são desumanos e mercenários, além de colocar sobre essa mesma classe o fardo dos problemas da saúde pública.

Por fim, gostaria de sugerir que cada cidadão escolhesse melhor seu representante, pesquisasse seu passado político, avaliasse bem suas propostas e, quando eleito, cobrasse e fiscalizasse constantemente o trabalho prometido em campanha. É triste saber que há cidadãos que não lembram sequer em quem votaram. Estou cansado de ver gente morrer na fila do SUS, pedindo que Deus os ajude. Até onde sei, Deus não faz campanha e pede votos. Ou a gente muda o jeito de votar, ou vamos ter que continuar pedindo proteção aos céus.

Escrito por Fernando Arataque Filho.
Goiânia, setembro de 2013.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Nunca acreditei muito em coincidências, sempre procurava pensar que as coisas simplesmente aconteciam, e pronto. Com o passar do tempo, fui adquirindo experiência e tive a sorte de ter a perspicácia de observar melhor os fatos, com um olhar mais amplo, procurando sempre estar desprovido de preconceitos. Com isso, pude observar e aprender que o universo é incrível. As coisas acontecem quando tem de acontecer, na hora exata. Não adianta desistir na primeira dificuldade, tampouco insistir em algo que se sabe ser impossível sua realização. Talvez melhor a se fazer, é nada fazer. Isso mesmo. Deixar que as coisas fluam naturalmente. Arriscar na hora certa e recuar quando preciso. Como saber quando fazer cada coisa? Nunca se sabe, os livros não ensinam. É algo que aos poucos vai se aprendendo, mas nunca tem fim. E é isso que torna a vida incrivelmente gostosa! É aquela dúvida: insisto ou desisto? Condeno ou perdoou? Aponto o dedo ou estendo a mão? ...
Sabe, a vida é cheia de surpresas e também armadilhas. Não há um mapa no qual diga "aqui é confiável, vá em frente, ou "ei, volte, aí é perigoso"! Em nossa estrada, cada passo é uma decisão e certamente terá consequências. Talvez saber viver seja simplesmente caminhar, sem medo, sem receio, com ou sem companhia. Talvez ser feliz seja aceitar. Aceitar erros e acertos, aprender com aqueles e crescer com estes. 
Mas uma coisa não se pode perder, a FÉ. Não somente a FÉ em um ser superior, o qual rege o universo, mas a FÉ em si mesmo. É acordar todo dia, agradecer a Deus pela oportunidade de poder abrir os olhos e saber que esse dia é único, e o mais importante de nossas vidas. É dormir sonhando com um objetivo e acordar com determinação para realizá-lo. É saber que nada cai do céu. Embora vivamos sempre pedindo, a ele, proteção e saúde. 
Resumindo, é fazer nossa parte e deixar que as coisas aconteçam. E ficar atento às oportunidades e sinais, que as vezes não damos a devida atenção e chamamos apenas de coincidência...

domingo, 14 de julho de 2013

“País rico não é país sem pobreza”. País rico é país sem corrupção!

Eu em entrevista à rádio CBN



Sou coordenador regional do Dia do Basta, um movimento apartidário, sem fins lucrativos que luta, dentre outras vertentes, pelo fim da corrupção na política. Organizo manifestos, passeatas e protestos, em Goiânia, há mais de um ano. Inúmeras vezes fui às ruas lutar por um país melhor, munido apenas de faixas e cartazes, acompanhado de, quando muito, 50 pessoas.

Confesso que em alguns momentos pensei em desistir, às vezes, senti-me cansado ao ouvir que “isso é o Brasil, nunca vai mudar”, “que o sistema é muito forte”, etc. Talvez tivessem razão. Agora não mais.
Vivemos um momento ímpar em nossa história. Temos acompanhado milhões de pessoas nas ruas, protestando por seus direitos garantidos pela Constituição Federal de 1988.
Nesses últimos dias, no entanto, parei e me perguntei por que somente agora o “Gigante Acordou”? Não foi difícil responder a essa pergunta.  Basta olhar à nossa volta e perceber o quão somos diariamente humilhados pelo Governo. Muitos denominaram essa revolta popular como “Revolta dos vinte centavos”, alusão que se refere aos movimentos paulistas sobre o aumento da tarifa de ônibus. Mas seria injusto e simplista explicar todo esse vômito social com meros vinte centavos. Os vinte centavos foram apenas a gota d`água.

O povo despertou porque se cansou de ver seus parentes morrendo na fila do SUS, assim como minha avó morreu e bem como quantas vezes, durante o curso de Medicina, acompanhei pais chorando a morte de seus filhos por falta de vagas em UTI´s neonatais. Idosos, hipertensos e diabéticos, voltarem às suas casas sem o devido tratamento por falta de medicamentos básicos. O problema é crônico e atinge as três esferas de poder. O Governo Federal rouba muito, investe muito pouco em saúde e repassa menos ainda aos Estados e Municípios; o Governo Estadual é negligente e omisso; o Poder Municipal é, muitas vezes, totalmente despreparado e sem estrutura, com pessoas que ocupam cargos públicos meramente para cumprir promessas de campanha, sem o mínimo de preparo técnico qualificado. Já perdi as contas de quantas vezes fui à Secretaria Estadual de Saúde e encontrei caixas e caixas de medicamentos nos corredores do prédio à espera de que os “responsáveis” municipais os solicitassem ou os retirassem.

O povo despertou porque se cansou de trabalhar oito horas por dia, acordar às 5h da manhã, pegar dois, três, quatro ônibus para chegar ao trabalho e receber no final do mês R$ 678,00, ou seja, em um ano os rendimentos não ultrapassam R$ 8.814,00 (já contabilizado o 13º salário) ao passo que um Senador custa, anualmente, aos cofres públicos, R$ 33 milhões, um Deputado R$ 6,6 milhões. Por MINUTO, em média, cada político, pago com meu e com seu dinheiro, custa nada mais nada menos que R$ 11.545,00, repito: por um minuto “trabalhado”, segundo estudo feito pela organização Transparência Brasil.

O povo despertou porque se cansou de ver tanta impunidade. Atualmente o Presidente do Senado é ninguém menos que Renan Calheiros, condenado pelo Superior Tribunal Federal (STF). José Genuíno e João Paulo Cunha, também condenados pelo STF, ironicamente, integram a Comissão de Constituição e Justiça. O senhor Marcos Feliciano, racista e homofóbico, é o Presidenta da Comissão dos Direitos Humanos. Blairo Maggi, o maior plantador de soja do País, ganhador do prêmio “Motosserra de Ouro” (concurso organizado pelo Greenpeace para eleger os maiores inimigos do meio ambiente) assumiu no início do ano a Presidência da Comissão do Meio Ambiente.  Parece piada, mas não é. Isso é o Brasil que temos.
Um Brasil que tem uma das cargas tributárias mais altas do planeta, que ocupa a 85ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), a penúltima posição no ranking da educação, tem 14 das 50 cidades mais perigosas do mundo, que é o 72º país em investimentos na área da saúde e  tem 13 milhões de brasileiros que não tem sequer saneamento básico...

É por isso e por outros muito mais “vintes centavos” que o brasileiro acordou e hoje vai às ruas. É por busca de uma melhor qualidade de vida e, acima de tudo, por dignidade e respeito.
Já tivemos vitórias importantes como, por exemplo, a redução da tarifa do transporte público e o passe livre aos estudantes da região metropolitana de Goiânia, o arquivamento da PEC 37 (a qual retiraria o poder investigatório do Ministério Público), o fim dos 14º e 15º salários para congressistas, a aprovação de proposta que destina 75% dos royalties do petróleo para educação e 25% para a saúde e mais algumas promessas de mudanças.

Não devemos, no entanto, nos deixar enganar, sobretudo pela mídia vendida, com destaque à Rede Globo, e pensarmos que os políticos, do dia para a noite, ficaram bons. Não! A verdade é que não estão fazendo absolutamente nada além de suas obrigações. Na verdade, estão com medo do povo, com medo da força de milhões de brasileiros oprimidos a gerações. Esse é o real motivo das mudanças.
Por fim, como Coordenador e organizador de manifestos, deixo um aviso aos políticos, sobretudo aos corruptos: Preparem-se, pois estamos apenas começando!

Afinal,
“País rico não é país sem pobreza”. País rico é país sem corrupção!


Texto publicado no mês de junho no Jornal "Imprensa do Cerrado", edicção nº 59 de 2013.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Brasil: um país de todos?



Essa é a Dona Luzia, 88 anos, esperando atendimento na agência da Previdência “Social” - (INSS) da Avenida Goiás. Debilitada pela idade e por algumas enfermidades, não consegue se locomover sozinha. Oriunda do Sul do País, agora moradora de Goiás, buscava junto ao INSS a transferência de sua aposentadoria. A sacola que se encontra em sua mão, servia para as constantes salivações e eventuais vômitos.  Essa senhora se encontrava dentro de um carro, na porta da Agência da do INSS da Avenida Goiás, sob um sol de 33 ºC. A Agência não dispunha  sequer de uma cadeira de rodas para que essa cidadã que, pagou impostos por quase 90 anos, fosse levada para dentro da agência. Acompanhei pessoalmente a longa espera dessa idosa que durou mais de 3 horas. Em determinado momento, ela necessitou ir ao banheiro, amparada por sua filha e seu genro, foi carregada, desfalecida, até o interior da agência.
Essa é Dona Luzia, mas poderia muito bem ser sua avó, sua mãe ou você no futuro! Ninguém sabe o dia de amanhã...
Até quando vamos ter de nos submeter às humilhações nas longas filas dos órgãos públicos? Até quando vamos ver o Governo nos roubar descaradamente enquanto milhares de brasileiros morrem todos os dias nas filas do SUS? Até quando vamos ver nossos representantes CORRUPTOS desviando o dinheiro público em obras superfaturadas?  Até quando vão investir BILHÕES em estádios enquanto nossas escolas caem aos pedaços? Até quando vamos aceitar um DEPUTADO custar mais de R$ 166 mil mensais aos cofres públicos ao passo que um PROFESSOR recebe um salário que mal dá para se sustentar? Até quando você vai ficar aí parado reclamando em constante inércia?
Ativismo virtual não é o bastante. Está na hora de sair às ruas e lutar por nossos DIREITOS! Está na hora de mostrar que o PODER emana do POVO! Está na hora de aprender que os políticos devem nos servir, e não nós a eles.
Está na hora de dar um BASTA nessa pouca vergonha!


domingo, 19 de agosto de 2012

Não aponte o dedo, estenda a mão!



Apontar o dedo, julgar as ações alheias é fácil, condenar, mais ainda. Buscar entender as circunstâncias e o contexto como um todo, no entanto, requer dedicação, esforço e paciência. E, cá entre nós, quase ninguém se preocupa com os outros no sentido de somar. Pelo contrário, muitos utilizam a desgraça alheia como uma forma de subtrair a própria. Por isso não é tão custoso sair apontando os desacertos dos outros. Todavia, poucos são os que se importam de fato e procuram ajudar, estender a mão.A estes, muito obrigado; àqueles, que Deus lhes dê tudo em dobro!

quinta-feira, 15 de março de 2012


Em algum momento da vida, vamos ter que parar e analisar nossas ações. Muitas das vezes, destorcemos a realidade a fim de se evitar o sofrimento. Isso não significa que sejamos fracos ou covardes. Pelo contrário, isso é natural. Consiste em um mecanismo de defesa do aparelho psíquico, segundo Freud. Inconscientemente suprimimos alguns desejos que não são socialmente aceitos. É uma verdadeira guerra do aparelho psíquico. O ID - regido pelo prazer - deseja algo e quer satisfação. O SUPEREGO - regido pla realidade - freia esse impulso e dita as regras, é ele quem diz o que pode ou não. O trabalho administrativo fica por conta do EGO - uma espécie de juiz do inconsciente. Essa batalha entre querer e poder, moderada pelo Ego, gera - muitas vezes - uma angustia sufocante.
Todo esse processo ocorre sem que percebamos.
Ocorre que existe um meio termo nessa engenhoca psíquica. Freud definiu três blocos mentais: inconsciente, pré-consciente e consciente. O primeiro e maior estão os elementos instintivos e não acessíveis ao consciente. É lá que a maioria das informações ficam guardadas. O segundo é o um ponto de transição, uma espécie de ponte. O último corresponde àquilo que temos percepção, é, digamos, tudo que pensamos e sentimos conscientemente.
Metaforicamente, imagine um iceberg. A ponta que enxergamos é o consciente, uma pequena parte; logo abaixo, uma faixa de gelo também pequena é o pré-consciente; e por fim, grande e inacessível encontra-se o inconsciente. Imagine agora as ondas do mar batendo nesse iceberg, essas ondas são a realidade. Conforme sua força, expõe-se mais o pré-consciente ou cobre o consciente, mas nunca atinge o inconsciente.

Toda essa breve e simplória explicação com base freudiana só teve uma função: mostrar que há momentos em nossas vidas nos quais estamos mais ou menos expostos à realidade, à informações que temos guardadas, mas que muitas das vezes não sabemos - a maré está calma e o mundo é tal como vemos. No entanto, em outros momentos, durante um período de turbulência - quando novos ventos sopram forte - compreendemos que nem tudo é como imaginamos, percebemos ou sentimos. Há algo muito maior além da simplória razão a que estamos acostumados a nos sempre apoiar.
Acredito que seja nesses momentos de tempestade, quando a razão fica exposta e a visão prejudicada, é que verdadeiramente nos enxergamos. É aí que percebemos o que somos (ou ao menos parte do que somos). Compreender a obra como um todo é impossível. Talvez devido à incapacidade humana, talvez devido à sabedoria do Criador e à Sua benevolência em nos poupar sofrimento.
Definitivamente o homem não foi feito para sofrer. Todavia, é nos momentos de dores - momentos de transição - que ele evolui e cresce, tornando-se talvez melhor.
Sinto que esses momentos geram tristeza. Não essa tristeza a que alguns estão habituados, mas uma tristeza que vem lá do fundo, sente-se, mas não entende. É quando aquele amigo próximo percebe e pergunta o motivo da tristeza e você não sabe o que responder. Isso é o aparelho psíquico trabalhando, durante uma batalha interna e inconsciente, e definindo novos rumos a serem seguidos. Talvez seja o Ego reclamando seu direito de ter prazer ou o Superego expondo suas regras.

Acredito que Vinicius de Moraes sabia disso quando disse: "Tristeza não tem fim, felicidade, sim!" Talvez fosse uma metáfora: Tristeza = Dor = Crescimento. Assim como uma borboleta que sai do casulo. Tem que quebrar uma casca, abrir uma ferida, para crescer. Felicidade = nossos momentos em que o ID, EGO e SUPEREGO estão numa trégua, um momento de equilíbrio dinâmico. Mas se sabe que é um estado passageiro - algumas vezes ilusório - vai passar, cedo ou tarde... É quando a ferida está cicatrizando!
Importante é saber reconhecer esse momento. Aproveitar a maré baixa e resgatar do pré-consciente o máximo de informações sobre você mesmo. É descobrir-se verdadeiramente, um típico estado catártico. É aquele momento em que você tira todas as máscaras que carregou por uma vida e tem que olhar no espelho. Isso naturalmente dá medo. Descobrir-se como verdadeiramente é e não como se sempre se apresentou. Às vezes a fim de ser aceito em determinado ambiente ou grupo, dissimula-se a essência involuntariamente. Não condeno essa ação, é uma forma de se evitar o sofrimento, algo natural. Fico preocupado, entretanto, que durante esse processo longínquo o tempo apague o caminho que nos leva ao que verdadeiramente somos. É como existir sem existir. Querer sem querer. Dar gargalhadas mas no fundo estar chorando. Isso deve ser evitado a fim de passar uma vida procurando algo que está tão perto e ao mesmo tempo tão inacessível. Deve ser mais ou menos assim que um preso se sente dentro de uma cela ao olhar pela janela. Enxerga um mundo livre, mas do qual está privado devido a algum ato cometido no passado. É triste olhar para trás e saber que tudo poderia ter sido diferente. Arrepender-se de não ter ouvido os mais velhos, os amigos, a família e sobretudo aquela voz interior que a vida toda gritou e não foi ouvida.

Faz-se necessário, muitas vezes, construir um casulo em torno de nós mesmos. Isolar-se temporariamente das influencias externas e procurar no nosso eu interior o caminho a se seguir. Pode-se começar devagar, pois, como disse Clarice Lispector, direção é mais importante que velocidade.
Talvez seja necessário ser triste para ser verdadeiramente feliz...


Nota: O escrito acima não tem como função explicar a teoria freudiana, há apenas uma parcela mínima (e ainda resumida) da Obra de Sigmund Freud. As palavras que acabara de ler não tem sentido algum - e talvez esse seja meu objetivo. Ironia ou não, forma escritas ao som de "Hey You", na voz de Pink Floyd! (O trocadilho é por minha conta http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://2.bp.blogspot.com/-C12f_OrtUoo/ThJYZ5waRlI/AAAAAAAAAJY/OQY3JAwXXM0/s1600/pink-freud.jpg&imgrefurl=http://virusrockonline.blogspot.com/2011/07/pink-freud-isso-mesmo-freud.html&usg=__iRzHs9AM7Bf6crDui-RzeNcfVfQ=&h=694&w=435&sz=116&hl=pt-BR&start=1&zoom=1&tbnid=MWVbezZSeV0kEM:&tbnh=139&tbnw=87&ei=aIZiT8TjG8Gzgwekk5DbAg&um=1&itbs=1)

segunda-feira, 12 de março de 2012

A ingratidão desmancha a afeição


"Nós, humanos, usualmente condicionamos nossos sentimentos de amor a alguma coisa. Nos casos mais nobres à pura e simples correspondência. Se somos correspondidos em nossos sentimentos, o amor segue frutífero e, em geral, 'a ingratidão desmancha a afeição'" (Terry Lynn Taylor)


É com sempre lembrar que a barriga não dói uma única vez. As máscaras caem, cedo ou tarde... Não obstante, muitas pessoas são legais enquanto somos úteis. Poucas as pessoas e as vezes em que recebemos algo em troca de um esforço, grande ou pequeno. Isso não quer dizer que se deve agir esperando retribuição. No entanto, é natural esperar da outra parte um mínimo de bom senso, caráter ou consideração. Se essa falta persiste, cria-se uma sensação de que mundo é, de fato, movido apenas por interesses. Desfaz-se com o tempo o ideal de lealdade, amor, amizade, carinho e respeito. Com isso, passa a vigorar o "olho por olho, dente por dente", "vale quanto pesa" (...)

Creio que a vida e felicidade não se resumam apenas a poder, status, dominação! Não são poucos os que esquecem que do valor das pequenas coisas, detalhes que fazem diferença.

Seguir em frente e acreditar que um dia tudo que fazemos (de bom ou ruim) será pesado, medido e cobrado ou restituído é o melhor caminho a se seguir. A caminhada não pode parar por mais árduo que seja o caminho. A vida não se resume a derrotas ou vitórias. A vida não se resume a festivais, como diria o poeta.


Enfim, de nada adianta vencer o mundo se você, no fundo, perde para si mesmo...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

ISO 9002

ISO 9002

É estranho e ao mesmo tempo cômico como o passado nunca passa. Por mais que as horas e os dias passem, o ontem sempre insiste em se fazer presente. Às vezes uma música, imagem ou um simples pensamento é capaz de gerar nostalgia muitas vezes doce, muitas vezes amarga.

Amigos que em certa etapa da vida chegamos a pensar que não fossemos capazes de viver sem eles, não raramente, afastaram-se de nós. Aquela amizade que era eterna esvaiu-se com o tempo, com a distância e indiferença. O grande amor da nossa vida não passou de paixão. Murchou como as rosas que simbolizaram um dia o amor de duas almas que por um tempo se completaram. Não dificilmente restaram somente alguns espinhos... aparados com o tempo.

Alguns de nossos inimigos do passado – hoje - são as pessoas em quem mais podemos confiar. Tabus com o tempo viraram modismo. Princípios muitas vezes ficaram em segundo plano. Certas circunstâncias nos forçaram a fazer coisas que nem em sonhos imaginávamos ser capazes. A vida bate e derruba não por maldade, todavia por necessidade. Não necessidade de fortalecimento. Necessidade de cada dia se tornar uma pessoa mais adaptada às cobranças e aos desafios. Quantas vezes nos vimos sem saída e pensamos estar perdidos? Hoje algumas pessoas entendem que esses momentos foram significativamente importantes para que parássemos de fugir e começássemos a enfrentar nossos problemas.

Com o tempo aprende-se que o infinito sempre acaba. Aprendemos com os nossos erros e com os alheios. Não temos tempo para cometer todos. Quantas vezes seu ombro serviu de consolo a um amigo? Quantos ombros amigos você teve na vida?

Você ainda se lembra do nome do seu primeiro cachorrinho? Da sua professora preferida quando tinha 10 anos? Do seu desenho preferido? Lembra-se do seu primeiro beijo? Da promessa e voto feito na virada de ano? Foram cumpridos? A lista é longa...

E curta, felizmente, é nossa memória. Não é possível, por mais que alguns insistam, criar um fundo de reservas do passado para nos momentos de crise do presente recorrer à reserva pretérita. Todos têm alegrias e tristezas pregressas. Importante é saber discernir uma lembrança de uma tentativa frustrada de “revivência” do que nunca mais voltará. Relembrar não é viver, é puramente relembrar. Feche os olhos, ouça aquela música especial, sinta o cheiro inconfundível daquele perfume, suspire fundo... pronto. Agora abra os olhos e veja o que está à sua volta. Entende? Por mais que certas coisas deixem saudade, devem ficar onde estão: no passado.

No presente, deve-se fazer planos para o futuro e, claro, trilhar caminhos que conduzam à concretização das quimeras tão bem quistas. Todos tem sonhos, muitos lutam para que eles se tornem realidade, poucos percebem quando a batalha chega ao fim. Raríssimos sãos os que estão preparados para a vitória. Sun Tzu dizia que o bom soldado alcança a vitória e busca a batalha, enquanto o mau soldado batalha e persegue a vitória.

Mas o presente não se tornará um dia passado? Claro. Justamente por isso é que se deve fazer o melhor hoje para que amanhã as memórias sejam afáveis.

Sê justo e correto em tuas ações. Faça da empatia um costume. Aprenda a perdoar. Crie o hábito de sempre falar a verdade, quando oportuna. Tenha humildade. Não desperdice seu tempo com atitudes que te fazem ou farão mal. Procure crescer para alcançar os frutos que um dia curvou-se para plantar as sementes. Entre o sim e o não, opte pelo talvez. Cuide de quem gosta verdadeiramente de você. Não se deixe influenciar demasiadamente por aquilo que vê ou ouve. Viva! Ame, chore, sorria. Tome danoninho com os dedos. Divirta-se como uma criança. Abra a geladeira para pensar, mas não deixe que isso congele seu potencial de ação. Mexa-se. Beba, se der vontade, mas com moderação. Tenha sempre equilíbrio na vida. Os extremos podem ser instigantes, mas são pouco duradouros...

Ligue para a pessoa amada e diga a ela o quanto você a considera importante. Confie em você mesmo. Abrace seus pais, assim você estará abraçando você daqui a uns anos. Entenda que o tempo cura, mas também fere. Haja sempre com bom senso e de acordo com seus princípios. Lembre-se de que vivemos em sociedade e isso implica em regras e padrões a serem seguidos. Molde-se, mas não se deixe ser moldado. E o mais importante de tudo, tenha sempre Deus à frente de suas ações. Creia, tenha Fé e saiba esperar. Deus nunca se esquece de seus filhos!

Isso não são palavras de auto-ajuda, são experiências vividas por alguém que já passou por muita coisa na vida. Conheci o céu e o inferno. Errei muito, magoei as pessoas que mais me amaram. Sempre fizeram muito por mim e pouco retribuí. Sempre imaginava estar em vantagem... Pura bobagem. Hoje olho para trás e vejo o quão tolo, vazio e egoísta fui. Aprendi, no entanto, a dar valor às coisas simples da vida. Hoje procuro fazer tudo do modo correto. O mesmo atalho que pode encurtar uma estrada pode desviá-la. Lembre-se: a quem muito é dado, muito será cobrado. Errar enquanto ser/pessoa ignorante é uma coisa; ter sapiência e mesmo assim persistir no erro tem um preço muito alto a ser pago, não vale a pena.

Lembre-se, portanto, sim do passado. Mas não tente trazê-lo para o presente. Construa dignamente sua trajetória de vida. Daqui um tempo, terá orgulho de olhar para trás e dizer que valeu a pena. Não construa um castelo na areia. Arquitete seu projeto de vida e reconheça que grandes obras requerem grandes esforços e longo tempo de construção.

Você não é produto do meio. Você é o que você quer ser e não me venha arrumar desculpas para um possível fracasso. Machado de Assis dizia que o melhor das botas apertadas é o alívio ao retirá-las.

A escolha é sempre sua e as conseqüências também. Pense nisso.

Fernando Arataque Filho

Goiânia, 03 de setembro de 2011.

03h13m

Agora é tarde...

AGORA É TARDE

O sol já se pôs.
A última lágrima foi derramada.
O último trago foi dado.
Agora é tarde.
O infinito teve fim.
O guerreiro foi derrotado.
A estrada ficou sem saída.
A viagem ao inferno teve um fim.
A viagem ao céu também.
Agora é tarde.
O gosto amargo permanece.
A esperança morreu.
As ilusões nunca morrem.
O cinismo é cíclico.
A solidão renasce.
O passado se repete.
Agora é tarde.
A ave já não voa.
O sorriso não sorri.
Os passos foram trocados.
Inventaram o pecado.
Esqueceram do perdão.
Agora é tarde.
Tarde demais para recomeçar.
Tarde demais para desculpas.
Tarde demais para promessas.
Tarde demais para perceber o óbvio.
Tarde demais para perguntas.
Tarde demais para respostas.
Agora é tarde.
A última mentira foi dita.
O ultimo tentar se cansou.
A última saudade perdeu a vontade.
O pior dos enganos se revelou.
O recomeço se perdeu.
Agora é tarde.
Não haverá um novo dia.
A estrela não mais brilhará.
O sol se apagou.
O universo morreu.
Agora é tarde.
Tarde.
Tarde.
Tarde.

(Derwhy J. Euqatara)

sábado, 27 de agosto de 2011

Antes do fim...

“Eu avisei a todas elas desde o início, sempre deixei nas entrelinhas, sempre disse frases como: - Querida eu preciso lhe avisar, eu tenho um carimbo invisível escrito ‘Cuidado’. Não quero compromisso, nunca me casarei... Apesar dos meus melhores esforços, estou sentindo pequenas rachaduras na minha capa de proteção... Quando reavalio a minha pequena vida e todas as mulheres que conheci, não consigo evitar pensar em tudo o que elas fizeram por mim e no pouco que fiz por elas, como elas cuidaram de mim, se preocuparam comigo e em troca, eu nunca retribui o favor... É... e eu que pensava que tinha o acordo perfeito... O que eu ganhei? Sério?! Tenho algum dinheiro no bolso, umas roupas legais, um carro maneiro à disposição e sou solteiro... Sem compromisso, livre como um pássaro. Não dependo de ninguém, ninguém depende de mim, a vida é totalmente minha. Mas não tenho paz de espírito. E se você não tem isso, não tem nada... Então qual é a resposta? É o que eu vivo me perguntando. O que é o mais importante? Entende o que quero dizer?”

(Alfie)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Vita ...

Quantas vezes eu lutei sem ter forças...
Caí e o máximo que pude ver foram plantas de pés que me encobriam a luz do sol. Cheguei a um ponto em que tinha que subir muito para alcançar o fundo do poço. Tive sede, deram-me sal. Senti-me só, ignoraram-me. Tinha sonhos, mas vivi um pesadelo. Meus heróis morreram, perderam a batalha. Meus amigos todos se venderam...
Vivi dias que pareciam noites; noites que mais pareciam a morte. Obstáculos e barreiras já faziam parte da paisagem.
Caí de joelhos. Meu rosto pingava suor, garganta seca, barriga vazia e coração apertado. Minhas mãos calejadas apertavam um punhado de terra árida.
Tive que renunciar muito. Tive humildade. Ouvi quando estava errado. Calei-me quando, por ventura, estava com a razão.
E assim fui levando uns bons dias, talvez anos, da minha vida.
Fui movido por um sentimento, um intuição de que um dia o jogo viraria. Uma esperança que me mantinha forte; uma certeza de que tudo acontece na sua hora certa!

O justo será glorificado:
30E aqueles que Deus predestinou, também os chamou.
E aos que chamou, também os tornou justos;
e aos que tornou justos, também os glorificou
.(Rm 8,30).

E os dias foram se passando. Sem muitos detalhes, as coisas foram simplesmente acontecendo. Problemas foram se resolvendo. Pessoas maravilhosas foram entrando em minha vida...
Hoje sinto-me mais forte do que nunca!
Hoje entendo que Deus tem um plano maravilhoso para a minha vida. Compreendo que a quem muito é dado, muito será cobrado. Vejo que cada escolha tem uma consequência e que se essas escolhas forem feitas com base nos preceitos Divinos, Deus dá força para suportar qualquer coisa.

Lembre-se: Quando um homem fecha uma porta, Deus tem o poder de abrir mil portas.
Quando, no entanto, Deus fecha uma porta ...


Seja justo e honesto, no final sempre vale a pena!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Vita

E a cada dia que se passa tenho a certeza de que a vida é feita de momentos. Bons e ruins. Ter paciência e resignação é fundamental. Vamos sim abandonar pessoas e pessoas vão nos abandonar. Nem todos os amigos são para sempre. A vida é uma costante desordem. Cada um compõe a sua própria história. No fundo, no entanto, todos buscam seu lugar ao sol. Às vezes para seguir em frente é necessário deixar antigas costumes e hábitos. Abandonar até pessoas...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Só tu!

Amo-te tanto que nem sei...
Essa distância pode ser grande, mas não é maior que meu sentimento.
Pode passar mil anos, um milhão de vidas que ainda assim amarei somente a ti.
Tu que vieste sem avisar-me...
chegaste pra ficar...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Nonsense

Sim, a vida ainda vai me derrubar bastante. E a cada vez que eu me levar, serei mais forte.
Sim, várias pessoas vão me abandonar. E a cada nova companhia, serei mais solitário.
Sim, vários espinhos vão me machucar. E cada cicatriz representará uma rosa roubada.
Sim, muitas vezes vou pensar que nada tenho. E sorrirei ao lembrar das pessoas que tive.

Talvez eu nada saiba. Mas eu tenho muita história para contar.
Talvez minhas vitórias sejam pequenas. Mas são minhas vitórias, e me custaram um bucado de suor.
Talvez o destino cobre caro de quem muito tem. Mas eu não tenho medo de pagar o preço.
Talvez a persuasão tenha me proporcionado alegria. Mas eu sou mais forte quando triste.

Não, eu não quero muito. Mas vou lutar até o último dia da minha vida pelo pouco que almejo.
Não, eu não tenho medo de tentar e tentar e tentar novamente. Porque desistir é aceitar o fracasso eterno.
Não, eu não ligo para o que pensam ou falam. Quando mais alto se sobe, menor se parece aos que ficam abaixo.

Eu não quero seguir passos. Não quero passar por essa vida e ser moldado dia a dia por pensamentos alheios, ideologias baratas ou impressões mal impressas. Deixe-me quebrar a cara, a minha e dos outros.

Não se compara um objeto ímpar assim como não se mede um sentimento. Julgue-me como quiser, eu não importo. Não ligo se não tive a "sorte" de conseguir me apegar a ninguém. Ao menos não passo a vida mendigando sentimentos. Não me humilho em troca de alguns instantes de "carinho". Sou fiel a mim mesmo, e isso já é muito. Conviver comigo mesmo não é tão difícil, tenho a consciência de meus atos e consequências. Eu não tenho terceiros para culpar, assim como não tenho a quer dar satisfação.
Vivo a liberdade ao meu modo insólito. Construo um castelo e o destruo sem antes habitá-lo. Eu não me importo com sentimentos alheios. Não me importo em manter um império, conquista-lo basta.
Não espere muito de mim. Não confie em mim. Eu tenho habilidade com as palavras. Eu trago comigo um aviso implícito de "Perigo! Afasta-se!". Carrego uma capa que me protege. Sempre sou em quem fecha a porta e não a tranca. Não saio para comprar cigarros e não volto. Volto, fumo um cigarro e antes que a fumaça se desfaça, de mim só resta a cinza lembrança.
Conquistar é fácil, basta dizer aquilo que querem ouvir. Elogiar. Ouvir o que ninguém dá atenção. Olhar nos olhos... tudo é tão simples. Às vezes é sem graça.

Eu não quero atar as pontas da vida. Quero cortá-las...


Escrito por Dhery Euqatara

segunda-feira, 30 de maio de 2011

My Way

Às vezes, ficamos preso a um passado que por mais queiramos não mais existe.
Se Deus é o grande Arquiteto do universo, o Tempo é o maior escultor de todas as coisas.
Bem verdade é que muitos não se orgulham do passado. Todavia, há quem não se orgulhe, embora sinta muita saudade. É estranho, o passado e o futuro parecem-nos sempre melhor, o presente pior.
Minha parte brasileira diz para eu nunca desistir, usar meu coração; minha parte oriental, manda-me raciocinar, seguir a razão. Eis minha própria Jihad.
Seguir em frente? Jogar tudo para o alto? Mudar de estratégia? Avançar? Recuar? Nada disso importa agora...
Nada importa quando todos os caminhos conduzem a um só lugar.


domingo, 15 de maio de 2011

So mais uma... de amor?

Eu sei como palavras iludem... saber dizer o que se quer ouvir é um mérito tão insignificante que não produz mais graça.

O mundo é tão previsível, as pessoas estão tão previsiveis. Corpos vazios, mentes descartaveis que rogam por carinho, amor, atencao...
Triste cotidiano de amarguras maqueadas. Mascaras dia a dia renovadas. Sentimentos segundo a segundo realimentados na esperança de um final feliz. Todavia, a historia sempre tem o mesmo fim. Muitos amores hão de vir, e partir. Talvez darão algum prazer. Um ou outro beijo vai marcar. Mas o implacável tempo tudo apaga...

Vão-se os aneis, ficam-se os dedos...

sábado, 23 de abril de 2011

Quanto tempo sem vir aqui... Confesso que por várias vezes senti saudade, bem como senti saudade de várias pessoas que, por ventura, aqui visitam.

Não há mais motivo para escrever. A fonte de inspiração secou e parece não querer brotar tão cedo. Palavras soltas e sem sentido não me satisfazem. São papéis sem lastro...

Creio estar passado por uma fase de adaptação. Estou revendo meus conceitos, reelaborando minha visão acerca do mundo. Talvez o sonhador tenha dado um pouco mais de espaço ao construtor. Sai de cena o engenheiro frio e calculista e entra o operário, um operário em construção, como diria Vinicius de Moraes...

Tudo tornou-se previsível, preto e branco. Apesar de míope, não consigo viver sem as cores do mundo. Estou indo buscá-las.

Se as encontrar, volto; se não, procurarei mais; se mesmo assim não achar nada. Inventa-las-ei...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ser ou não ser...

Dias atrás recebi, de uma pessoa distinta, um belo texto. A mensagem exaltava as qualidades da Águia e a aproximava de um ideal a ser seguido. Numa comparação a urubus e pombos que voam em bandos, a solidão da Águia era glorificada.
"A Águia não tem medo. Não tem amigos. É fiel a si mesma." No texto dizia, ainda, que até na hora da morte a ave rapina é excentrica: voa até o pico mais alto que encontra e lá morre solitária.
Creio, de fato, que a Águia é um símbolo de determinação, força e coragem. Será, no entanto, que as Águias são felizes?
Voar mais alto que todos, ser invejada pela ousadia - criticada pela audácia - , ver o céu azul como ninguém jamais verá vale o preço pago?
Um peito largo cheio de medalhas compensa um coração vazio?
Uma mansão nas alturas das montanhas é tão aconchegante quanto um ninho de pombos?
Eis a questão: ser águia ou pombo?

sábado, 9 de outubro de 2010

Há aquela velha e boa fábula que conta a história do menino que sempre alarmava um falso ataque do lobo às brancas indefesas ovelhas. O Pastor, prestativo e atento, sempre acreditava nos falsos avisos do garoto. Quase sempre, um dia o Pastor se cansou. Justamente no dia em que o ataque era verdadeiro. O menino desesperado gritava pela ajuda do Pastor enquanto as ovelhas eram mortas.
Outra versão da fábula, mas com o mesmo efeito moralizante, é a do beija-flor que sempre dava enganosos alertas de incêndio na floresta. A inconsequente ave divertia-se ao ver toda a fauna mobilizar-se a fim apagar o que nunca existiu. Até que um certo dia... todos sabemos o que aconteceu.


Transpondo a fábula à realidade, apesar de não ser o garoto ou o beija-flor, por muito tempo emiti falsos sinais. Distribuí indícios e promessas de algo grandioso. Expressei, amiúde, (com uma dissimulação de fazer inveja a Capitu) sentimentos de bem-querer. Manifestei e fiz transparecer um amor sem começo nem fim.

Tal como o beija-flor ou o garoto, talvez tenha agido com o intuito de suprimir a pungente pequenez a que estava fadado. Fomos, eu e meus personagens, por muito tempo o centro das atenções. Nos divertíamos às custas da credulidade alheia. Crédulos que, por inocência ou ignorância, sempre guardavam na memória lembranças daquilo que, de fato, nunca subsitiu. Exceto em sonhos.


Hoje, por irônia do destino, minha história vai terminando como a de meus caros companheiros, o garoto e o beija-flor. Somos iguais em descrédito e desgraça. Hodiernamente, por mais sinceras e eloquentes sejam nossas palavras, ninguém mais dá ouvidos a elas. Eu não matei nenhuma ovelha. Quero, assim como o Pastor, cuidar do meu rebanho de um só exemplar. O que, no entanto e infelizmente, é impossível. Transformei-me no Lobo da história.

Eu tampouco quero apagar essa chama que sempre fantasiei ter, mas que só agora a conheço verdadeiramente. [Almejos sem meios. (Sonhos vãos). Não voltam.] O beija-flor que sempre fui, apesar de ter experimentado tantas rosas, apaixonou-se por uma flor intocável. Delicada demais para um lobo; grande demais para um pequeno e dissimulado bejia-flor.


E o final dessa história... eu quero mudá-lo.


"Nem todas as flores têm a mesma sorte: umas nascem para enfeitar a vida; outras, a morte."
(Dherry Euqatara)