"Como é vão sentar-se e escrever se você não se levantou para viver!
(Henry D. Thoreau)"


quinta-feira, 15 de março de 2012


Em algum momento da vida, vamos ter que parar e analisar nossas ações. Muitas das vezes, destorcemos a realidade a fim de se evitar o sofrimento. Isso não significa que sejamos fracos ou covardes. Pelo contrário, isso é natural. Consiste em um mecanismo de defesa do aparelho psíquico, segundo Freud. Inconscientemente suprimimos alguns desejos que não são socialmente aceitos. É uma verdadeira guerra do aparelho psíquico. O ID - regido pelo prazer - deseja algo e quer satisfação. O SUPEREGO - regido pla realidade - freia esse impulso e dita as regras, é ele quem diz o que pode ou não. O trabalho administrativo fica por conta do EGO - uma espécie de juiz do inconsciente. Essa batalha entre querer e poder, moderada pelo Ego, gera - muitas vezes - uma angustia sufocante.
Todo esse processo ocorre sem que percebamos.
Ocorre que existe um meio termo nessa engenhoca psíquica. Freud definiu três blocos mentais: inconsciente, pré-consciente e consciente. O primeiro e maior estão os elementos instintivos e não acessíveis ao consciente. É lá que a maioria das informações ficam guardadas. O segundo é o um ponto de transição, uma espécie de ponte. O último corresponde àquilo que temos percepção, é, digamos, tudo que pensamos e sentimos conscientemente.
Metaforicamente, imagine um iceberg. A ponta que enxergamos é o consciente, uma pequena parte; logo abaixo, uma faixa de gelo também pequena é o pré-consciente; e por fim, grande e inacessível encontra-se o inconsciente. Imagine agora as ondas do mar batendo nesse iceberg, essas ondas são a realidade. Conforme sua força, expõe-se mais o pré-consciente ou cobre o consciente, mas nunca atinge o inconsciente.

Toda essa breve e simplória explicação com base freudiana só teve uma função: mostrar que há momentos em nossas vidas nos quais estamos mais ou menos expostos à realidade, à informações que temos guardadas, mas que muitas das vezes não sabemos - a maré está calma e o mundo é tal como vemos. No entanto, em outros momentos, durante um período de turbulência - quando novos ventos sopram forte - compreendemos que nem tudo é como imaginamos, percebemos ou sentimos. Há algo muito maior além da simplória razão a que estamos acostumados a nos sempre apoiar.
Acredito que seja nesses momentos de tempestade, quando a razão fica exposta e a visão prejudicada, é que verdadeiramente nos enxergamos. É aí que percebemos o que somos (ou ao menos parte do que somos). Compreender a obra como um todo é impossível. Talvez devido à incapacidade humana, talvez devido à sabedoria do Criador e à Sua benevolência em nos poupar sofrimento.
Definitivamente o homem não foi feito para sofrer. Todavia, é nos momentos de dores - momentos de transição - que ele evolui e cresce, tornando-se talvez melhor.
Sinto que esses momentos geram tristeza. Não essa tristeza a que alguns estão habituados, mas uma tristeza que vem lá do fundo, sente-se, mas não entende. É quando aquele amigo próximo percebe e pergunta o motivo da tristeza e você não sabe o que responder. Isso é o aparelho psíquico trabalhando, durante uma batalha interna e inconsciente, e definindo novos rumos a serem seguidos. Talvez seja o Ego reclamando seu direito de ter prazer ou o Superego expondo suas regras.

Acredito que Vinicius de Moraes sabia disso quando disse: "Tristeza não tem fim, felicidade, sim!" Talvez fosse uma metáfora: Tristeza = Dor = Crescimento. Assim como uma borboleta que sai do casulo. Tem que quebrar uma casca, abrir uma ferida, para crescer. Felicidade = nossos momentos em que o ID, EGO e SUPEREGO estão numa trégua, um momento de equilíbrio dinâmico. Mas se sabe que é um estado passageiro - algumas vezes ilusório - vai passar, cedo ou tarde... É quando a ferida está cicatrizando!
Importante é saber reconhecer esse momento. Aproveitar a maré baixa e resgatar do pré-consciente o máximo de informações sobre você mesmo. É descobrir-se verdadeiramente, um típico estado catártico. É aquele momento em que você tira todas as máscaras que carregou por uma vida e tem que olhar no espelho. Isso naturalmente dá medo. Descobrir-se como verdadeiramente é e não como se sempre se apresentou. Às vezes a fim de ser aceito em determinado ambiente ou grupo, dissimula-se a essência involuntariamente. Não condeno essa ação, é uma forma de se evitar o sofrimento, algo natural. Fico preocupado, entretanto, que durante esse processo longínquo o tempo apague o caminho que nos leva ao que verdadeiramente somos. É como existir sem existir. Querer sem querer. Dar gargalhadas mas no fundo estar chorando. Isso deve ser evitado a fim de passar uma vida procurando algo que está tão perto e ao mesmo tempo tão inacessível. Deve ser mais ou menos assim que um preso se sente dentro de uma cela ao olhar pela janela. Enxerga um mundo livre, mas do qual está privado devido a algum ato cometido no passado. É triste olhar para trás e saber que tudo poderia ter sido diferente. Arrepender-se de não ter ouvido os mais velhos, os amigos, a família e sobretudo aquela voz interior que a vida toda gritou e não foi ouvida.

Faz-se necessário, muitas vezes, construir um casulo em torno de nós mesmos. Isolar-se temporariamente das influencias externas e procurar no nosso eu interior o caminho a se seguir. Pode-se começar devagar, pois, como disse Clarice Lispector, direção é mais importante que velocidade.
Talvez seja necessário ser triste para ser verdadeiramente feliz...


Nota: O escrito acima não tem como função explicar a teoria freudiana, há apenas uma parcela mínima (e ainda resumida) da Obra de Sigmund Freud. As palavras que acabara de ler não tem sentido algum - e talvez esse seja meu objetivo. Ironia ou não, forma escritas ao som de "Hey You", na voz de Pink Floyd! (O trocadilho é por minha conta http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://2.bp.blogspot.com/-C12f_OrtUoo/ThJYZ5waRlI/AAAAAAAAAJY/OQY3JAwXXM0/s1600/pink-freud.jpg&imgrefurl=http://virusrockonline.blogspot.com/2011/07/pink-freud-isso-mesmo-freud.html&usg=__iRzHs9AM7Bf6crDui-RzeNcfVfQ=&h=694&w=435&sz=116&hl=pt-BR&start=1&zoom=1&tbnid=MWVbezZSeV0kEM:&tbnh=139&tbnw=87&ei=aIZiT8TjG8Gzgwekk5DbAg&um=1&itbs=1)

segunda-feira, 12 de março de 2012

A ingratidão desmancha a afeição


"Nós, humanos, usualmente condicionamos nossos sentimentos de amor a alguma coisa. Nos casos mais nobres à pura e simples correspondência. Se somos correspondidos em nossos sentimentos, o amor segue frutífero e, em geral, 'a ingratidão desmancha a afeição'" (Terry Lynn Taylor)


É com sempre lembrar que a barriga não dói uma única vez. As máscaras caem, cedo ou tarde... Não obstante, muitas pessoas são legais enquanto somos úteis. Poucas as pessoas e as vezes em que recebemos algo em troca de um esforço, grande ou pequeno. Isso não quer dizer que se deve agir esperando retribuição. No entanto, é natural esperar da outra parte um mínimo de bom senso, caráter ou consideração. Se essa falta persiste, cria-se uma sensação de que mundo é, de fato, movido apenas por interesses. Desfaz-se com o tempo o ideal de lealdade, amor, amizade, carinho e respeito. Com isso, passa a vigorar o "olho por olho, dente por dente", "vale quanto pesa" (...)

Creio que a vida e felicidade não se resumam apenas a poder, status, dominação! Não são poucos os que esquecem que do valor das pequenas coisas, detalhes que fazem diferença.

Seguir em frente e acreditar que um dia tudo que fazemos (de bom ou ruim) será pesado, medido e cobrado ou restituído é o melhor caminho a se seguir. A caminhada não pode parar por mais árduo que seja o caminho. A vida não se resume a derrotas ou vitórias. A vida não se resume a festivais, como diria o poeta.


Enfim, de nada adianta vencer o mundo se você, no fundo, perde para si mesmo...